Jogo olímpico do Atari era medalha de ouro em quebrar controles

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Houve um tempo em que um jogo de videogame reunia crianças, jovens e adultos em frente à TV da sala de estar para competir em esportes olímpicos de forma divertido e, ao mesmo tempo, frustrante. Divertida pois tinha provas como 100m rasos, salto com vara e arremesso de dardo. Frustrante porque, geralmente, nenhum controle durava mais do que 15 minutos de jogo.

Essa é uma história comum dentre todos que passaram algum momento com “Decathlon” nos anos 1980. O jogo que ficou famoso no Atari 2600 era produzido pela Activision (produtora que, hoje em dia, é conhecida pelo sucesso “Call of Duty”) e trazia 10 modalidades olímpicas, mas foi recordista em quebrar joysticks. Tudo por conta da forma de jogar, que consistia basicamente em chacoalhar o controle e apertar o botão vermelho. “Decathlon” também foi lançado em outros consoles da época, mas em nenhum deles chamou tanta atenção quanto no velho Atari.

As modalidades mais simples, como 100m rasos, 400m rasos e corrida de 1500m, exigiam mais consistência do que agilidade: ao balançar o controle, o jogador preenchia uma barra que dava velocidade para o corredor. Já nas outras modalidades, como salto em altura, arremesso de dardo e salto em distância, precisava de um toque a mais, literalmente: apertar o botão na hora certa.

O problema é que nem todo mundo encarava as provas com tanta calma e equilíbrio. Não era necessário ter força para controlar, mas sim velocidade e consistência para balançar o controle – e quanto mais rápido, melhor. Só que muita gente exagerava e confundia força com velocidade. Era comum ver pessoas devolvendo o game nas locadoras com a cara triste por que “o jogo quebrou” o controle.

“Decathlon” tinha essa magia com os esportes olímpicos clássicos e deixava as pessoas absortas tentando melhorar seus recordes, tudo a base do papel e caneta, pois o game não gravava os resultados. O game não dava moleza para deslizes: tocou na linha, está desclassificado. Com isso vinha a frustração e mais um controle ia para o cemitério.

Muito disso acontecia por conta do modo multijogador, onde até 8 pessoas podiam se revezar no mesmo controle em cada uma das 10 provas. Não precisa ser um gênio matemático para saber que tanta gente com o mesmo controle resultaria em problema. O jogo não tinha opção de jogar em tela dividida e, por isso, jogar com muita gente era penoso, principalmente na prova de 1500m, que levava uma eternidade para chegar ao fim.

A competição era mais acirrada nos EUA, pois a Activision incentivava quem jogava a bater seus próprios recordes e quem conseguia fazer 8.000, 9.000 ou 10.000 pontos, ganhava uma insígnia de tecido, nas cores bronze, prata ou ouro, respectivamente. Mais ou menos como as conquistas do Xbox One ou os troféus do PlayStation 4 – só que de verdade.

Foi dessa mecânica que muitos games olímpicos se basearam como “Olympic Gold”, do Master System em 1992, e “Olympic Summer Games” lançado para diversos videogames em 1996. Mas nenhum deles teve tantas histórias divertidas (ou controles quebrados) como o game do Atari. Atualmente o gênero de jogo olímpico sobrevive em título como “Mario & Sonic at the Rio 2016 Olympic Games”, mas sem o mesmo charme da época de ouro.

Caso você não tenha jogado e queira experimentar, “Decathlon” está disponível de graça no Archive.org (clique aqui). Só tome cuidado para não estragar o seu teclado, afinal, é do maior assassino de controles que estamos falando.

Fonte: UOL Games

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